É POSSÍVEL VENCER O PESSIMISMO?

Diante da atual recessão econômica, que vêm acabando com diversas empresas e empregos, fechando inúmeras companhias, destruindo inúmeras possibilidades de negócios, e inviabilizando o progresso no país, empresários e funcionários estão de mãos atadas, sem saber o que fazer, em suas tentativas de buscar uma saída para a estagnação que saturou a nação, e comprometeu todas as probabilidades de uma retomada da normalidade.

Em uma situação repleta de adversidades, é impossível evitar totalmente as frustrações. Aprendemos, muitas vezes da forma mais difícil, nas angustiantes dificuldades difundidas por situações adversas, que não podemos controlar plenamente as circunstâncias.

Mas podemos, ao menos até certo ponto, controlar o impacto negativo que elas exercem sobre nós? Sim, podemos fazer isso. Como? Não nos deixando abater. Evidentemente, dar conselhos é muito fácil; coloca-los em prática, no entanto, é uma questão muito mais ostensiva e premente, e que exige sensatez, autocontrole, autodomínio e elevada capacidade analítica/

Man looking down on the beach

O que podemos fazer, então, para não sermos vencidos pelo pessimismo?

Na vida, tudo, diante de qualquer situação, é uma questão de escolha. Podemos escolher ser otimistas ou pessimistas, ainda que nenhuma destas opções seja a mais indicada. Na vida, a melhor das óticas é a realista. Ela oferece uma perspectiva superior, porque obriga você a analisar o que está ao seu favor, e o que está contra você. A partir desta análise, você pode trabalhar com as engrenagens e ferramentas que você tem a sua disposição, pois é isso que o realista faz: procura fazer o melhor que pode, com o pouco que têm. Dedica-se de corpo e alma, mas sem criar expectativas em mirabolantes, grandiosos ou fantásticos resultados.

Em tempos como o que estamos vivendo, certamente não ajuda em nada ficar ouvindo frases de otimistas incuráveis, que dizem coisas estapafúrdias como “está tudo na sua cabeça”, “a crise é psicológica” ou “pense positivo que as coisas naturalmente acontecerão”. De “psicológica”, a crise não têm absolutamente nada, a não ser para os psicólogos, que, em função da crise, com certeza perderam potenciais clientes. E pensar de forma positiva – embora um pouco de otimismo seja fundamental em qualquer ocasião – não ajudará muito, se o pensamento positivo não vier acompanhado de ações.

Lembre-se: o otimismo pelo otimismo é fútil e vazio, e frases maravilhosas retiradas de livros de autoajuda não servirão de auxílio substancial no enfrentamento das dificuldades. A ação, abalizada por uma análise perspicaz da situação, é que conseguirá atingir resultados.

Mas esvaziar-se de expectativas – especialmente das irrealistas (é neste mês que vou quadruplicar o faturamento, e quitar todas as minhas dívidas) – é fundamental para você manter a sanidade, e impedir, da melhor forma possível, eventuais preocupações de causarem um dano ainda maior à sua saúde mental. Nós, seres humanos, somos criaturas primariamente emocionais: com raras exceções, a razão, especialmente nos momentos difíceis, escolhe ficar em segundo plano.

Mas, ainda que seja difícil controlar as emoções, lembre-se: não será ficando preocupado, estressado ou aflito que as dificuldades naturalmente serão resolvidas. Isso apenas lhe causará desgaste, angústia e apreensão. Outro fator fundamental que melhora a vida de qualquer indivíduo – ainda que seja particularmente difícil para um empreendedor implementar esta formidável regra em sua vida – é o famoso “viver um dia de cada vez”.

As ansiedades que nos causam as preocupações com o amanhã, com a semana que vêm, com o mês que vêm, com o próximo bimestre, são inescrutáveis fontes de saturação mental, sobre eventos porvindouros que não temos capacidade alguma de prever ou controlar. Então, que tal resolver primeiro o dia de hoje, para amanhã preocupar-se com o dia de amanhã?

Alguns empreendedores descobriram que pequenas metas diárias são muito melhores e mais eficazes do que grandes metas semanais, gigantescas metas mensais ou titânicas metas semestrais, tanto para a produtividade quanto para a manutenção da clareza e serenidade mentais. Ajudam a dividir em porções menores tarefas mais complexas, e evitam que pensem em preocupações que lhes causariam grandes transtornos mentais, e não lhes trariam o benefício de solução alguma. E convenhamos, nestes tempos tumultuados em que estamos vivendo – de recessão, desemprego, escassez da demanda, ausência de oportunidades e queda drástica do faturamento –, você certamente não precisa de incômodos adicionais.

Infelizmente, é verdade que não é possível vencer o pessimismo de forma absoluta. Em determinados momentos, acabaremos sucumbindo à sua inerente capacidade de intoxicar-nos. Mas sempre podemos escolher a lucidez como um possível antídoto, emergindo dos sórdidos, incongruentes e obscuros abismos para os quais somos levados, em momentos de desespero. Ainda que não sejamos imunes à melancolia, à angústia e ao pessimismo, existem maneiras razoáveis de lidar com sentimentos negativos.

Distinguir preocupações substanciais de improváveis consternações de caráter meramente especulativo, que existem apenas em nossa cabeça, é um ótimo começo. E ainda que nem isso sejamos capazes de efetuar plenamente, diferenciar preocupações factuais das imaginárias certamente é de grande ajuda para se ter uma lucidez mental mais forte, e levar uma vida mais saudável.

Administrar uma empresa é uma ocupação que inerentemente trará consigo momentos de invariável preocupação, tensão e apreensão. Mas desenvolver habilidades mentais que nos permitam controlar, ao menos até certo ponto, nossas emoções, sempre será de grande ajuda. Em um mundo onde o que não nos falta são ansiedades e preocupações, administrá-las de forma ponderada e razoável será de grande benefício para nossa saúde mental e emocional, e, invariavelmente, nos ajudará a viver com uma qualidade de vida mais salutar e proveitosa.

Fonte: Jornal do Empreendedor

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